Causa,
efeito e solução. Três palavras imprescindíveis
quando o assunto é fauna ameaçada de extinção.
As principais causas para a extinção da fauna
(o efeito) são mais do que conhecidas __ poluição
ambiental, caça e comércio ilegais e desmatamento.
O desmatamento acelerado que atingiu todos os ecossistemas de
floresta no Brasil, nas últimas décadas, é
apontado, pela quase totalidade dos ambientalistas, como a principal
causa do processo de extinção. Seja para expansão
da fronteira agrícola, seja para a exploração
de madeira, o desmatamento, sem nenhuma avaliação
prévia dos prejuízos que poderia causar ao meio
ambiente, fez desaparecer centenas de espécies animais
e vegetais sem terem sido, ao menos, identificadas. |
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Somadas às muitas dezenas de espécies vegetais e
animais que sumiram da face da Terra antes que tivessemos tempo de
conhecê-las melhor e tentar preservá-las, temos um segundo
efeito danoso __ a perda da biodiversidade do planeta e, conseqüentemente,
a grande diminuição do potencial para pesquisa e produção
de novas drogas e remédios para a saúde humana.
A solução, hoje bastante clara para a maioria, é
a ampliação e fortalecimento das ações,
programas e projetos que envolvem, basicamente, a proteção
animal e vegetal, o reflorestamento, a preservação em
Unidades de Conservação e a educação ambiental.
Campeão mundial em megadiversidade, o Brasil precisa caminhar
mais rápido para encontrar soluções que nos livrem
da responsabilidade de sermos um dos grandes contribuintes para uma
das maiores extinções de vida em nosso planeta em um
curto espaço de tempo, só comparada com a ocorrida há
65 milhões de anos com os dinossauros. Os especialistas afirmam
que as atividades humanas poderão, nos próximos 30 anos,
ser responsáveis pelo desaparecimento de cerca de 20% das espécies
hoje existentes.
A riqueza em biodiversidade, que confere ao Brasil a primeira colocação,
é representada por 56 mil espécies de plantas superiores,
524 de mamíferos, 1.622 de pássaros, 468 de répteis,
517 de anfíbios, mais de 3 mil espécies de peixes de
água doce e algo entre 10 e 15 milhões de espécies
de insetos, fora os peixes e invertebrados marinhos e as plantas inferiores.
É triste constatarmos que as nossas listas oficiais de animais
ameaçados já incluem pelo menos 92 mamíferos,
149 aves, 23 répteis, um anfíbio, 9 peixes de água
doce, 28 borboletas, 6 libélulas, 1 verme e 1 coral.
Infelizmente, a Mata Atlântica, com pouco mais de 8% de sua
cobertura original, representa o ecossistema onde a ameaça
de extinção é mais forte __ está em segundo
lugar na lista das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta.
Nela, as listas oficiais consideram sob ameaça 57 mamíferos,
108 aves, 9 répteis, um anfíbio, 32 invertebrados e
63 espécies de plantas. A velocidade de destruição
dessa floresta, que exige um reajuste permanente desses números,
já é responsável, segundo cálculos recentes
de entidades ambientalistas, por mais de 500 espécies ameaçadas
de extinção.
Entre os animais, mesmo que sejam poucas as espécies já
consideradas extintas, em muitos casos existe um número perigosamente
pequeno de exemplares. Nesse aspecto, é interessante comentar
a importância que os zoológicos espalhados por todo o
mundo representam para a sobrevivência de alguns animais. Não
só quando se fala de um individuo, mas, principalmente, quando
se trata de uma espécie animal. Algumas espécies só
podem hoje ser encontradas exclusivamente nos zoológicos (veja
Superlotação no Zoológico do Rio,
no final).
A fauna de mamíferos sul-americanos, apesar de pobre em formas
de grande porte, é altamente diversificada. Por outro lado,
são os mamíferos de maior porte, como as onças,
jaguatiricas, pacas, queixadas, antas, tamanduás-bandeira e
lobos-guará, mais especializados e com baixo potencial reprodutivo,
que estão mais sujeitos a desaparecer em um futuro próximo.
Com a destruição da cobertura vegetal, associada a outros
fatores como a caça predatória e o comércio ilegal,
muitas espécies não encontram mais condições
naturais de reprodução e passam a apresentar rápido
e acentuado declínio de suas populações.
PARANÁ
- Desmatamento provoca a extinção da fauna
O
Paraná, no ano de 1995, foi o primeiro estado brasileiro
a ter uma publicação específica sobre as
espécies de animais ameaçadas de extinção
__ o livro Lista Vermelha de Animais Ameaçados
de Extinção no Estado do Paraná.
Esta publicação serviu de base para a também
primeira lei estadual de proteção à fauna
ameaçada.
Essas duas iniciativas serviram de exemplo para os outros estados
brasileiros iniciarem seus estudos da fauna e para oficializar
suas propostas de lei estadual. |
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A
lista de animais ameaçados no Paraná tem um total
de 218 espécies, sendo 21 mamíferos, 117 aves, 9 répteis
e 17 borboletas. Infelizmente, alguns já podem estar extintos.
O desmatamento e a conseqüente destruição dos
habitats é a principal causa da ameaça de extinção
para os animais, especialmente para as aves que têm uma extreita
relação com a vegetação, como está
ocorrendo com a gralha violeta (Cyanocorax cyanomelas), um dos mais
belos pássaros do Paraná, da mesma família
Corvidae da gralha azul (Cyanocorax coeruleus), ave símbolo
do estado. Outro exemplo é o papagaio-da-cara-roxa, que vive
exclusivamente nas florestas litorâneas do sul de São
Paulo e Paraná. Os dados divulgados por órgãos
ambientalistas indicam que hoje existem somente 4 mil indivíduos
dessa espécie. Por ser restrita ao seu habitat, é
uma ave vulnerável, pois qualquer alteração
no ambiente pode ser muito arriscado para sua sobrevivência.
Mas não é só um problema de desmatamento. Essa
espécie está incluída na rota do tráfico
de animais silvestres, graças ao péssimo hábito
que muitas pessoas têm de criá-las em cativeiro.
RIO DE JANEIRO - Rio tem 257 espécies ameaçadas de
extinção
Em
meados de 1998, o Rio de Janeiro, através do trabalho
de pesquisa realizado pelo Setor de Ecologia da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ganhou uma lista completa
e atualizada das espécies ameaçadas de extinção
no Estado. Ao todo, são 257 animais, entre aves, mamíferos,
répteis, anfíbios, peixes e invertebrados aquáticos
e terrestres.
Infelizmente, aparecem na lista os vários animais já
consagrados em quase todas as listas dos outros estados, como
a onça-pintada, o mono-carvoeiro e a preguiça-de-coleira.
E mais uma vez, a principal causa da ameaça de extinção
dessas espécies é a destruição de
seus habitats naturais, compreendidos, em grande parte, pela
também ameaçada Mata Atlântica.
O estudo para atualizar a lista, realizado com o apoio de 120
pesquisadores de todo o Brasil, foi encomendado pelo Ibama.
Apesar de dispor de uma lista nacional de animais ameaçados,
o principal órgão ambientalista brasileiro encontrava
grandes dificuldades para mapear todas as regiões do
país e necessitava de um trabalho mais preciso e detalhado.
Cada pesquisador contribuiu com estudos e dados sobre a distribuição
das espécies apresentadas previamente pela UERJ. . |
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Após
um workshop com todos os participantes foi elaborada a lista da
fauna ameaçada, que só passou a valer oficialmente
depois que foi publicada no Diário Oficial.
Segundo a bióloga Helena Bergallo, uma das coordenadoras
do trabalho, a lista servirá de base para os órgãos
ligados ao meio ambiente traçarem suas metas e programas
de conservação da fauna ameaçada e regras de
controle sobre a caça e apreensão ilegal de animais
e desmatamento florestal.
Em 2004, os pesquisadores da UERJ pretendem repetir o estudo com
o objetivo de saber o que mudou nesse período. Dentre as
espécies classificadas como provavelmente extintas
estão a jararaca-verde, o rato-do-mato, a gaivota-maria-velha
e algumas espécies de borboleta e de libélula.
Uma
boa notícia do estudo é que o mico-leão-dourado
passou da categoria criticamente em perigo para
em perigo, graças aos programas de reintrodução
da espécie na Mata Atlântica, que diminuiram o
risco de sua extinção. O que prova que quando
o homem quer, as soluções existem.
Há aquelas espécies que estão ameaçadas
de extinção no Rio, mas que ainda ocorrem em outras
regiões do Brasil. No entanto, isto não significa
que não devemos nos preocupar, pois normalmente a ameaça
em um estado costuma ser o indício de que a situação
pode piorar em nível nacional. |
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Os
casos mais sérios, comprovando o que foi dito acima, são
daquelas espécies que estão ameaçadas em todo
o País, como a onça-pintada, a jaguatirica, o mono
carvoeiro, a preguiça-de-coleira, o pavão-do-mato,
o tatu-canastra e a anta. Ainda assim, os pesquisadores acreditam
que mesmo nas situações mais graves pode-se fazer
alguma coisa para revertê-las. Não são espécies
perdidas, bastando vontade política para elaborar projetos
de proteção e conservação. Entretanto,
até mesmo para que isso ocorra existem pontos muito importantes
a serem abordados pelos pesquisadores, como os locais onde as espécies
ocorrem, pois ainda existem muitas dificuldades para se conhecer
a distribuição dos animais por região.
Nesse sentido, somente os incentivos à pesquisa poderão
tornar estes dados bem conhecidos para que os órgãos
ambientalistas possam fazer projetos de reintrodução
das espécies em seus habitats naturais com grandes chances
de êxito na preservação.
MINAS
GERAIS - Atlas da biodiversidade
Biodiversidade
em Minas Gerais: um atlas para sua conservação
é a publicação que resultou do estudo de
121 especialistas de 11 áreas temáticas diferentes,
em um ano e meio de trabalho.
Encomendado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentado (Semad) à Fundação Biodiversitas,
o trabalho, estampado em um grande mapa e em um atlas com 94
páginas, consumiu cerca de R$ 350 mil.
A inexistência de uma política específica
de ocupação e uso do solo resultou na quase completa
destruição dos biomas locais e grande perda da
diversidade da fauna e flora de Minas Gerais. |
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No
passado recente, a exploração do carvão vegetal
para os pólos siderúrgicos e a expansão da fronteira
agropecuária foram os responsáveis pelo desmatamento
maciço de 588.384 km2 de Mata Atlântica e Cerrado do
território mineiro. Atualmente, existe uma forte pressão
sobre o Cerrado, a Caatinga e os Campos Ruprestes e de Altitude, provocando
um grande número de espécies em extinção
__ 178 espécies animais e 538 vegetais.
O Atlas apresenta informações específicas sobre
as regiões mais ricas em espécies distintas e define
86 áreas classificadas como de importância extrema, muito
alta ou alta ou de importância biológica especial. A
grande variedade de ambientes no estado possibilita a ocorrência
de 200 espécies de anfíbios e 180 de répteis,
com grande número de espécies endêmicas (que só
ocorrem em um determinado local). Para preservar estas espécies
foram delimitadas 23 áreas, como as serras do Cipó e
da Canastra.
Nas seis maiores bacias que drenam 96% do Estado foram registradas
380 espécies de peixes de água doce, em 29 áreas
como as bacias dos rios Jequitinhonha e São Francisco.
Minas Gerais possui 780 espécies de aves registradas, sendo
que 748 delas estão representadas nas 29 áreas prioritárias.
Desse total de espécies, 64 estão ameaçadas nos
limites do estudo e 83 aparecem na lista de risco de todo o Estado.
Minas possui ainda 190 espécies de mamíferos, o que
corresponde a cerca de 36% dos mamíferos brasileiros. Desse
total, quarenta estão sob ameaça de extinção,
principalmente pela destruição de seus habitats. O estudo
indicou 33 áreas para a preservação destas espécies.
Os invertebrados foram definidos em 46 áreas, das quais doze
grutas ou regiões de grutas, como as matas secas do Jaíba
e as serras do Cipó e da Mantiqueira.
EXTINÇÃO
- O que é e como se determina
| Estamos
cada vez mais nos acostumando a ver e ouvir falar das várias
listas de espécies ameaçadas de extinção
divulgadas com freqüência por diversos órgãos
e entidades nacionais, como o IBAMA, e internacionais, como
a CITES. Mas será que todos nós temos uma boa
noção do que significa o processo de extinção
e como se determina em que etapa deste processo uma espécie
pode estar? Acredito que não. É com este intuito
então que o tema é abordado a seguir. |
 |
Quando
se fala em extinção costuma-se ter em mente a grande
interferência do homem na natureza provocando a extinção
das outras espécies. Ainda que seja a mais pura e infeliz
verdade, nem sempre foi assim. A extinção das espécie
sempre foi um processo natural dentro da cadeia evolutiva dos seres
vivos em nosso planeta. Teoricamente, todas as espécies têm
um tempo de vida útil. Surgem, atingem seu ápice
e depois começam a desaparecer. Esse tempo pode variar entre
centenas e milhões de anos. Exemplos não faltam. Os
tubarões já estão em nosso planeta há
cerca de 400 milhões de anos, tão bem adaptados que
pouco evoluiram nesse período.
Na verdade, se imaginarmos analogicamente que a vida na Terra só
teve início uma hora atrás, a espécie humana
(Homo sapiens moderno) só passou a existir nos últimos
três décimos de segundo (há cerca de 100 mil
anos). Mais ainda. Se considerarmos que o homem moderno apenas passou
a interferir no meio ambiente, com mudanças gradativas e
drásticas, nos últimos 5 mil anos (correspondente
ao último centéssimo de segundo), veremos que na quase
totalidade do tempo em há vida no planeta as milhares ou
talvez milhões de extinções de espécies
ocorreram sem a nossa interferência.
Se voltarmos no tempo, imaginando os milhões de anos que
se passaram, podemos ter uma noção mais clara do processo
de extinção, dito natural. Bastará, para isso,
lembrar-se da notória extinção dos dinossauros.
Assim como eles, centenas de espécies foram surgindo e se
extinguindo naturalmente por força dos efeitos seletivos
do ambiente __ o processo evolutivo onde impera a sobrevivência
dos mais fortes e mais bem adaptados.
Vários fatores naturais podem levar uma espécie à
extinção, como as alterações geológicas,
as flutuações e mudanças climáticas
de curta ou longa duração e a competição
por espaço e alimento entre espécies de um mesmo nicho
na cadeia alimentar. Este último fator, pode também
ser visto como a interferência de uma espécie sobre
a outra. Ou seja, a extinção de uma espécie
pode estar diretamente relacionada com o surgimento e expansão
de uma outra que disputa os mesmos recursos em um mesmo espaço.
É um processo contínuo que permanece até hoje.
Nós, humanos, também já passamos. Dos primeiros
hominídeos (antepassados do homem), do gênero Ardipithecus,
que viveram há 4 milhões de anos, passando pelos Australopithecus,
que viveram até 1,8 milhões de anos atrás,
quando surgiu o gênero Homo, várias espécies
foram surgindo, se expandindo e forçando a extinção
das anteriores.
Há vários exemplos na natureza, nos dias atuais inclusive,
da interferência de espécies animais na sobrevivência
e extinção de outras, em suas disputas por espaço
e alimento. É comum, por exemplo, os leões matarem
os guepardos e seus filhotes apenas para eliminar a competição.
Assim, se lhes fosse possível, os leões exterminariam
as populações de guepardos na África.
Ao mesmo tempo em que o homem interferiu, e ainda interfere, acelerando
a extinção de várias espécies, que de
outro modo levariam ainda centenas ou milhares de anos para desaparecer,
ele hoje também interfere no sentido oposto, não deixando
que se extinguam espécies que já entraram no processo
natural de extinção.
Quais são, então, os critérios utilizados para
se determinar se uma espécie está ou não em
processo de extinção e em que grau de risco ela se
encontra? Usualmente, são utilizadas cinco categorias para
classificar as espécies. São elas: vulnerável,
em perigo, criticamente em perigo, provavelmente extinta e extinta.
Quando um animal ou vegetal é declarado extinto, significa
que desapareceram todas as características externas e internas
daquela espécie.
Os critérios utilizados para determinar sua classificação
são: distribuição e freqüência da
espécie em uma determinada área ou região,
capacidade de adaptação a ambientes que não
fazem parte de seu habitat natural, seqüelas sofridas pelas
mudanças ambientais e variação populacional
nos últimos anos. As espécies classificadas entre
as provavelmente extintas são aquelas das quais não
se fez registro nos últimos 30 anos.
As listas, e as leis que protegem as espécies incluídas
nas mesmas, devem sempre ser dinâmicas, possibilitando as
inclusões e exclusões das espécies. O tempo
ideal para as revisões destas listas situa-se entre 5 e 10
anos, prazo em que os ambientes podem ser alterados pelo homem e
as populações animais podem retrair-se ou se expandir.
Antes disso, as modificações costumam ser tão
pequenas que não surtem o efeito desejado.
Muitas vezes, o reencontro de algumas espécies consideradas
provavelmente extintas não significa que esteja havendo uma
regeneração dos habitats correspondentes, e sim um
maior avanço e esforço nas pesquisas e estudos dos
especialistas. Outras vezes, em função até
mesmo desse esforço, descobre-se uma nova espécie
e tem-se a reboque uma notícia boa e ruim ao mesmo tempo.
Embora signifique uma importante notícia e novidade científica,
descobre-se que a espécie em questão já tem
uma distribuição extremamente restrita, o que pode
significar extinção iminente.
SUPERLOTAÇÃO NO ZOOLÓGICO DO RIO
ou O EFEITO COLATERAL DO COMBATE AO COMÉRCIO ILEGAL DE ANIMAIS
Excesso
de hóspedes. Esse é o atual e grande problema
que o Zoológico do Rio de Janeiro está enfrentando.
Desde o início deste ano, o Zôo vem recebendo uma
média de 100 animais por mês apreendidos no comércio
ilegal __ corresponde a um volume 50% maior do que no ano passado.
A princípio, poderíamos pensar se o que está
ocorrendo é devido a um aumento no tráfico e no
comércio ilegal de animais ou se é devido ao aumento
do policiamento e das ações de combate a esse
mesmo tráfico e comércio. |
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Pelas
notícias que temos conhecimento (veja matéria As
Ações da RENCTAS, ao final) as ações
de combate e apreensão realizadas pelas instituições
responsáveis vem aumentando gradativamente. Isso faz com
que os contrabandistas e comerciantes ilegais, que não querem
deixar seus negócios, empreendam um esforço
cada vez maior para, não só driblar as autoridades,
como também recuperar seus prejuízos advindos das
apreensões.
Cria-se aí um ciclo vicioso onde o aumento das apreensões
deve-se ao crescimento de ambos. No entanto, a força motriz,
de partida e manutenção desse ciclo, é, sem
dúvida, as efetivas ações de combate. Quebrar
esse ciclo é difícil, mas não impossível.
Somente um contra-esforço ainda maior por parte das autoridades,
e aí esta-se falando de vontade política, aporte de
recursos e investimentos em pessoal qualificado e material apropriado,
será capaz de inverter o processo e diminuir paulatinamente
o comércio ilegal e o correspondente volume de apreensões.
A superlotação do Zôo __ o efeito colateral
__ não representa apenas limitação de espaço,
mas, principalmente, falta de dinheiro para sustentar tantas bocas
e bicos que não estavam previstos em seu orçamento.
Na lista dos bichos mais apreendidos estão as pequenas aves,
que se amontoam nos viveiros. Nos últimos meses, o Zôo
tem recebido mensalmente cerca de 350 pequenos pássaros.
Eles chegam feridos e fracos. Tem passarinho que se afoga
no bebedouro de tanta sede. A cada 100 pássaros recebidos,
80 morrem, diz a tratadora de aves Lizabeth Ribeiro Soares.
Por mês, o Zôo acolhe em média dois micos ou
sagüis, quatro papagaios, duas araras e vinte tartarugas. Fora
a nossa fauna silvestre, ainda existem os animais exóticos
(de outros países) apreendidos ou levados por donos que não
os querem mais, como os leões. Nesse caso, o Zôo, que
já tem cinco (contando com um filhote que nasceu no final
de agosto deste ano), não pode mais recebê-los por
total falta de condições para sustentá-los
__ cada leão consome em sua dieta diária cerca de
seis quilos de carne.
Atualmente, 80% dos serviços do setor veterinário
do Zôo são voltados para os animais recolhidos nas
feiras clandestinas e criadouros irregulares ou apreendidos com
contrabandistas.
Existe ainda um outro problema enfrentado pelo Zôo ao receber
esses animais. Falta-lhe, como falta à comunidade científica,
os conhecimentos básicos indispensáveis aos procedimentos
de manejo e conservação de muitas espécies
de animais silvestres ou mesmo exóticos.
Além do Ibama, que conta com a importante participação
da RENCTAS, os animais são enviados também pela Polícia
Federal, pelo Batalhão Florestal, pelo Ministério
Público e pela Delegacia Móvel do Meio Ambiente.
Márcio Martins, presidente da Fundação RioZoo,
explica que um convênio assinado entre a fundação
e o Ibama, em 1997, estabelece que o Zôo deve receber os animais
provenientes das apreensões. Nós somos o centro
de triagem de animais de todo o Estado. Só que, a cada ano,
esse número vem aumentando, conta Márcio, que
já contabiliza a chegada de 800 animais desde o início
do ano. Somente com a alimentação desses hóspedes
temporários o Zôo gasta mensalmente cerca de
R$ 3 mil. Preocupado com esta superlotação, Márcio
Martins, após uma reunião com os representantes das
instutuições responsáveis pela apreensão
de animais, no final de agosto, decidiu pedir à Secretaria
Municipal de Meio Ambiente que leve a questão aos governos
estadual e federal.
Nessa reunião foi discutido também o que poderia ser
feito para amenizar o problema. Decidiu-se que o Ibama deveria intervir
para agilizar a transferência dos animais apreendidos e já
triados. Márcio Martins ressaltou que a prefeitura já
tomou mais uma iniciativa para ajudar a resolver a questão.
Em setembro será construída uma central de triagem
com verba do Fundo de Conservação Ambiental da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente, conta ele. Com capacidade para
mil animais, o centro custará R$ 41 mil.
*
Marcelo Szpilman é Biólogo Marinho, Diretor do Instituto
Ecológico Aqualung, Editor do Informativo do Instituto e
autor dos livros Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos
Perigosos.
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