Informativo do Instituto

Informativo 55 - julho / agosto de 2004

DIA MUNDIAL DE LIMPEZA NO LlTORAL



 

 

 




Por: Marcelo Szpilman

DIA MUNDIAL DE LIMPEZA NO LITORAL

Dia Mundial de Limpeza do Litoral ou Dia Mundial de Limpeza de Praias, para quem ainda não conhece, vem se tornando um dos eventos ambientalistas internacionais mais conhecidos, participativos e efetivos do mundo.
A cada ano milhões de pessoas, em cerca 120 países espalhados pelo globo, unem forças e “empunham” a bandeira da limpeza para fazer uma real diferença em nosso meio ambiente __ limpar parte da sujeira que produzimos ao descartarmos de forma inadequada os resíduos sólidos no ambiente litorâneo.
O evento, um programa sem fins lucrativos que promove atividades ambientalistas ao redor do mundo, todo ano no terceiro final de semana de setembro, vem ajudando a diminuir um dos maiores problemas ambientais da atualidade, representado pelas crescentes montanhas de resíduos produzidos pelas sociedades modernas de consumo, do tipo não sustentável que privilegia o uso.
Os oceanos estão cheios de detritos sólidos provenientes dos quatro cantos do planeta. Esses detritos não só deixam os litorais e praias sujos e poluidos como, principalmente, podem provocar uma significativa mortandade de inocentes animais marinhos.
Todos nós sabemos que a solução a longo prazo é diminuir a quantidade de resíduos produzidos ou mesmo consumidos. O Dia Mundial de Limpeza do Litoral, que une voluntários de todas as idades e dos mais diversos setores da sociedade, empresários e governantes, é a oportunidade da participação comunitária em ações imediatas e locais de limpeza que contribuem para minimizar no curto prazo o impacto dos resíduos sólidos e suas conseqüências danosas para o ambiente e para a fauna marinha.
O mundo inteiro já percebeu que apesar da reconhecida importância do mar na maioria das culturas e sociedades, estamos abusando deste precioso recurso. Com a visão miope e torpe de que tudo o que desaparece nas águas não polui, transformamos algumas regiões marinhas em verdadeiras lixeiras, acabando com a vida marinha e com as possibilidades de pesca e lazer.
Chamado International Coastal Clean-up ou Dia Mundial de Limpeza do Litoral, o Programa é coordenado mundialmente pelo Centro para a Conservação da Vida Marinha (The Ocean Conservancy), com sede em Washington, nos Estados Unidos, e apoiado pelo PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Todo ano, o Centro para a Conservação da Vida Marinha (The Ocean Conservancy) organiza em conjunto com entidades como Clean up the World - Austrália, universidades, institutos de pesquisa e associações de moradores, uma campanha mundial de coleta de lixo em praias, rios e lagoas.
Os voluntários fazem mais do que apenas catar o lixo das praias, rios e lagoas. Eles coletam, pesam, classificam e catalogam o que encontram em fichas padronizadas e podem rastrear a origem destes detritos. Estes dados ajudam vários países a buscar uma saída para o problema.
Os dados recolhidos pelos coordenadores locais são enviados ao Centro para a Conservação da Vida Marinha para tabulação e cálculo estatístico. Os resultados seguem para ONU, que é responsável pela IOC (Comissão Intergovernamental Oceanográfica). São esses resultados mundiais que permitem à IOC convencer os países a tornarem-se signatários do MARPOL Treaty, o Tratado Internacional de Controle de Poluição Marinha.
Cerca de 120 países já fazem parte desse acordo internacional, como a Austrália, Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, México, Cuba, Bahamas, Costa Rica, Reino Unido, Espanha, França, Tailândia, Índia, Angola, Nigéria e Egito. Esse número ainda é pequeno e o IOC tem um trabalho muito árduo pela frente junto aos países que não são signatários, além de incentivar os signatários a implementar de fato as resoluções de controle da poluição.
O Brasil ainda tem muito o que fazer para implementar medidas concretas de controle desse tipo de dano, mas nós podemos em muito contribuir para que esse ideal se torne realidade.


MATERIAIS TEMPO DE DEGRADAÇÃO
Restos Orgânicos 1 a 12 meses
Tecidos de algodão 2 a 5 meses
Papel 3 a 6 meses
Outros Tecidos 6 a 12 meses
Madeira 6 a 24 meses
Filtro de Cigarro 5 anos
Chiclete 5 anos
Lata de Ferro 10 anos
Madeira Pintada 13 anos
Corda de Nylon 30 anos
Saco Plástico 35 anos
Copo de Plástico 50 anos
Lata de Aço 50 anos
Isopor 80 anos
Tetra Pak 100 anos
Lata de Alumínio 200 anos
Garrafa de Plástico 450 anos
Frauda Descartável 450 anos
Pneu de Borracha 600 anos
Garrafa de vidro 1 milhão de anos

Quase dois terços de todo o lixo que é encontrado pelos voluntários é algum tipo de detrito não degradável a curto prazo. São canudinhos, pontas de cigarro, tampinhas, sacos plásticos, chinelos. Tudo largado na areia, representando para a fauna marinha o maior percentual de materiais ambientalmente perigosos, no total dos resíduos sólidos coletados.
Restos de redes, linhas de pesca, cordas e sacos plásticos abandonados no mar permanecem nesse ambiente por muitos anos em razão de sua baixa biodegradabilidade (veja a tabela ao lado) e acabam vitimando inúmeros animais que se enroscam e acabam morrendo por asfixia ou por inanição. Peixes, aves, focas, leões-marinhos, tartarugas, golfinhos e baleias podem confundir os detritos que ficam boiando no mar com lulas, águas-vivas e outros alimentos que formam parte de sua dieta. Baleias e golfinhos já foram encontrados com o estômago cheio de lixo que veio das cidades.
A ponta de cigarro, o item mais coletado no mundo todo por oito anos consecutivos, tem ocasionado a morte de inúmeros animais que a confundem com ovas de peixe e a engolem. O mesmo ocorre com os sacos plásticos. Um saco plástico à deriva no mar é facilmente confundido com uma água-viva, componente alimentar de várias espécies de tartarugas-marinhas. Engolindo um saco plástico, a tartaruga pode morrer por asfixia.
Identificar as fontes de poluição, dar conhecimento à população dos riscos dos resíduos nos ambientes aquáticos e tentar pressionar os governos a adotar medidas de controle são importantes metas deste evento, que é de todos nós.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

Por Anna Turano (Jornalista)
Colaboração: Prof.Dr. Adacto Benedicto Ottoni

Segundo os estudiosos, a tendência é termos um mundo cada vez mais quente, populoso, sujo e com falta de água. Há várias razões para essas afirmativas, mas vale ressaltar que é possível reverter esse quadro quando o assunto é educação ambiental e consciência seletiva.
“Os moradores da cidade do Rio de Janeiro possuem algumas das mais belas praias do mundo, mas no entanto, a falta de cuidado e a falta de educação com o meio ambiente estão contribuindo para o aumento da degradação neste espaço democrático da cultura carioca”, diz o publicitário e surfista, Sérgio Stamile, ao complementar que a praia do Arpoador, berço do surf brasileiro e lugar onde surgiram e ainda surgem grandes surfistas, artistas e músicos, a cada final de semana passa por um “intenso ataque” de poluição, na medida em que muitos produtos consumidos são abandonados nas areias, mesmo havendo lixeiras espalhadas em todas as partes.

Os pais aprendem com os filhos?

Diversas vezes, em domingos ensolarados, não é difícil observar filhos, muitas vezes crianças de 5 a 1O anos, dizendo a seus pais: “papai / mamãe, não jogue lixo na praia”; “papai / mamãe, como a praia está suja!”. Cerca de um minuto depois, os papais ou a mamães dessas crianças, que acabaram de jogar, muitas vezes, segundo eles “sem pensar”, um copo de mate ou um simples canudinho na areia, olham para os lados e, discretamente, pegam o resíduo, andam alguns metros e o jogam no lugar apropriado __ uma lata de lixo ou um saco plástico. Com isso, esses pais e essas mães, antes de ter esse tipo de atitude novamente, irão se lembrar do fato e dificilmente irão repeti-lo, pelo menos na frente dos filhos.
Portanto, crianças podem se tornar conscientes através da educação e, assim, serem participantes de mudanças.

Água com consciência

A água é um recurso natural que tem de ser preservado e, por isso, as pessoas devem se conscientizar da sua importância. Deve-se usar como se amanhã fosse faltar. Apesar de deter 13% de toda a água potável do mundo, o Brasil faz má distribuição desse recurso. Assim, sobra em alguns locais e falta em outros. Mas existem lugares que já estão consumindo a água de forma consciente, por meio do reuso. O reuso da água pode ser utilizado, dentre outros, na recarga do lençol freático, na geração de energia, na irrigação e em fontes luminosas.

Consciência ecológica e soluções

A maioria dos estados em todo o Brasil vêm passando por problemas sanitários e ambientais preocupantes, que estão propiciando a geração de riscos de acidentes ecológicos cada vez mais freqüentes. Tudo isso contribui para o aumento da degradação ambiental, afetando a saúde e o bem-estar da população, pelo fato de as soluções convencionais, que até hoje costumam ser implantadas, terem se mostrado insuficientes ou ineficazes para reverter o atual quadro melancólico do saneamento nacional.
Felizmente, ainda há solução. Tecnologias sustentáveis e de baixo custo certamente viabilizariam o saneamento no Brasil, protegendo a saúde da população e evitando a degradação ambiental, já que esse fator está relacionado com diversas atividades, incluindo o abastecimento de água, o saneamento dos esgotos e do lixo (urbanos e industriais), o controle de vetores animados, o combate às enchentes e secas, e a degradação dos recursos naturais.
Esses são alguns exemplos de que para os problemas ambientais há soluções. Neste sentido, nada melhor do que a educação e a conscientização coletivas realizadas de forma sólida.