Informativo do Instituto

WHALEWATCH - BALEIAS NA MIRA

Chegou a hora de zelar pelo bem-estar das baleias

Informativo 54 - março / abril de 2004

WHALEWATCH - BALEIASNAMIRA

Chegou a hora de zelar pelo bem-estar das baleias

Resumo adaptado de “Troubled Waters - a review of the welfare implications of modern whaling activities” (Mares Revoltos - um relatório sobre as implicações de bem-estar da atividade de caça a baleias), editado por P. Brakes, A. Butterworth, M. Simmonds e P. Lymbery, e produzido em nome de uma coalizão global de entidades de bem-estar animal lideradas pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Society for the Protection of Animals - WSPA), 2004.

Fotos da caça de baleia: Mark Votier / Whale and Dolphin Conservation Society.

Dois milhões de baleias foram mortas no século passado por métodos que causam sofrimento prolongado. Algumas espécies foram caçadas até sua extinção, levando à proibição da caça baleeira em 1986. Apesar disso, cerca de 1.400 baleias ainda são mortas a cada ano com a utilização de métodos que pouco mudaram em cem anos. Alguns países gostariam de ver o retorno das operações baleeiras em grande escala. Entretanto, um exame das evidências práticas e científicas, resumidas aqui, chegou à conclusão de que muitos problemas graves de bem-estar são inerentes às atividades atuais de caça às baleias.

Baleias são mamíferos e não peixes

Há cerca de 80 espécies de baleias, golfinhos e botos, coletivamente chamados de cetáceos. Essas espécies vão desde grandes baleias, tais como a baleia azul, os maiores animais que já existiram no planeta, até os golfinhos e botos menores. As baleias são mamíferos, respiram oxigênio e amamentam seus filhotes com seu leite. Elas são criaturas altamente inteligentes e de estrutura social complexa, sobre as quais ainda temos muito que aprender.

A indústria baleeira atual

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) é o organismo intergovernamental encarregado de tratar da conservação adequada da população de baleias e de regulamentar as atividades pertinentes. Uma moratória internacional, ou proibição da caça comercial foi imposta em 1986. Entretanto, falhas nesta moratória significam que as baleias continuam a ser caçadas. Baleeiros da Noruega e do Japão, por exemplo, vão matar 1.400 baleias este ano em operações comerciais e nas chamadas operações “científicas”. Em 2003, a Islândia reiniciou a caça a baleias, matando mais de 30 baleias minke para propósitos de “pesquisa”. A carne proveniente dessas operações, sejam comerciais ou “científicas”, destina-se ao final para o consumo humano. Mesmo assim, os métodos para essa matança estão aquém dos padrões exigidos para o abate humanitário de animais de produção.

A CBI e o abate humanitário

A CBI tem estudado questões relativas ao bem-estar desde 1957, quando definiu “abate humanitário” como o processo pelo qual o animal é insensibilizado instantaneamente antes de sua morte. Em 1958, a Convenção das Nações Unidas por meio da Lei dos Mares (CNULM) adotou uma resolução exigindo que todos os paises utilizassem o melhor método existente na captura e abate da vida marinha, incluindo baleias, para evitar ao máximo seu sofrimento. Um ano após, a CBI reuniu o primeiro grupo de trabalho sobre abate de baleias. Apesar de vários anos de discussão sobre essas questões, incluindo a adoção de pelo menos 15 resoluções de bem-estar, o progresso nesse setor dentro da CBI tem sido lento. Os maiores problemas de bem-estar continuam sem solução.

Métodos de abate

A metodologia utilizada para a matança de baleias mudou muito pouco desde o século XIX, quando o arpão de propulsão mecânica foi inventado. O principal método de abate na caça comercial e “cientifica”atual é o arpão com granada explosiva. Lançado de um canhão, o objetivo é penetrar no corpo da baleia até uma profundidade de 30 cm antes de detonar, matando-a por ferimento extenso ou choque. A explosão resulta num ferimento de pelo menos 20 cm de largura, com o triplo da extensão quando as garras do arpão se abrem para ancorar dentro do corpo da baleia. O animal pode então ser içado para o barco baleeiro por uma corda amarrada a essas garras. Embora o tipo de explosivo usado anteriormente (pólvora negra) tenha sido substituído por um explosivo com pentrite, mais poderoso, o método básico de abate continua o mesmo há mais de meio século.


Apesar de seu poder destruidor, o arpão muitas vezes não mata sua vítima instantaneamente. Uma baleia que é atingida e não morre, passa a ter um ferimento extenso que causa intenso sofrimento. Pesquisas recentes mostram que a média de tempo até a morte na caça comercial e científica é de mais de 2 minutos, sendo que algumas baleias demoram mais de uma hora para morrer.
Os critérios utilizados pelo CBI para avaliar a morte ou insensibilidade a dor nas baleias são: relaxamento da mandíbula inferior, paralização das nadadeiras e afundamento sem movimento ativo. Utilizando estes critérios, a Noruega reportou que 80,7% das baleias minke foram mortas instantaneamente durante a temporada de caça de 2002. A caça à baleia minke do Japão em 2002/2003 registrou que 40,2% delas foram mortas instantaneamente. Um recente estudo científico veterinário concluiu que esses critérios são inadequados.
Se o primeiro arpão lançado não matar a baleia, um segundo arpão de pentrite ou um rifle é utilizado na baleia já ferida como um método secundário. Entretanto, os dados disponíveis indicam que os rifles são muitas vezes inadequados para este propósito, exigindo muitos disparos para provocar a morte. O costumeiro uso de um segundo método reflete a ineficiência das práticas de abate atuais.

O efeito do mar

Os baleeiros muitas vezes têm que tentar fazer um disparo fatal, seja com um arpão ou com um rifle, a certa distância. Eles também têm que suplantar uma série de dificuldades inerentes ao abate das baleias no mar, incluindo condições atmosféricas e visibilidade, condições do mar e os movimentos do barco. Chuva e neblina reduzem a visibilidade e podem diminuir a precisão. Um mar muito revolto prejudica a habilidade do artilheiro em acompanhar seu alvo sob as águas, tornando ainda mais difícil predizer onde a baleia vai emergir. Tanto o homem quanto o animal estão se movendo, completamente fora do controle do artilheiro. Quanto mais vigorosos os movimentos do barco, mais difícil é segurar o arpão e fazer pontaria.
Se a água, condições do mar ou os movimentos do barco não permitem um lançamento preciso, há risco de um arpão mal direcionado prolongar o tempo até a morte e conseqüentemente causar considerável sofrimento ao animal. Essas variáveis e os métodos inadequados utilizados para o abate de baleias se refletem nos baixos índices de morte instantânea e nas altas médias de tempo até a morte estimados em todas as operações. As dificuldades inerentes à tentativa de se matar um animal de grande porte, parcialmente submerso e em movimento no mar, de cima de uma plataforma em movimento, dão margem a graves questões de bem-estar.


Por que é hora de zelar pelo bem-estar das baleias?

“Se pudermos imaginar um cavalo com duas ou três lanças explosivas enterradas em seu abdome, através das quais ele traciona um caminhão pesado pelas ruas de Londres, enquanto seu sangue jorra, teremos uma idéia do método atual de abate das baleias. Os próprios artilheiros admitem que, se as baleias pudessem gritar, essa indústria cessaria suas atividades, pois ninguém poderia agüentar seus gritos.” Dr Harry D. Lillie (1947), médico que passou uma temporada trabalhando a bordo de um navio baleeiro da Antártica. O método de abate mudou muito pouco desde então.

Impacto da perseguição

As operações de caça a baleia podem causar estresse e comprometer o bem-estar da baleia caçada antes mesmo de um método de abate ser utilizado. Os baleeiros dependem da aproximação de sua vítima para um bem sucedido arpoamento. Entretanto, as baleias não evoluíram como uma espécie a ser predada e podem não estar adaptadas a serem perseguidas. Médias de tempo de perseguição de 30 minutos ou mais são, por exemplo, freqüentes na caça japonesa. A própria perseguição é tida como causa de estresse físico e psicológico, o que pode levar a síndromes tais como Miopatia de Esforço, uma condição que os cientistas acreditam ser fatal, mesmo para animais que escapam da captura.

Baleias “atingidas e perdidas”

Algumas baleias são atingidas e feridas mas não capturadas e são denominadas de “atingidas e perdidas”. O malogro em se capturar baleias que são atingidas e feridas é um grave problema de bem-estar. Baleias atingidas e perdidas podem sofrer uma série de lesões, tais como sangramento e dano a órgãos internos. Elas podem subseqüentemente morrer de seus ferimentos ou ter dificuldade em se alimentar ou procriar.

Caça aborígine de subsistência (CAS)

Apesar da moratória, a CBI permite a caça às baleias por populações aborígines quando realizadas “exclusivamente para consumo local”. A caça CAS é atualmente realizada na Groenlândia (baleias minke e fin), Rússia (baleias cinza e cabeça-de-arco), nos Estados Unidos (baleia cabeça-de-arco), e Bequians de St Vincent e Grenadines (baleias jubarte). O método de abate da CAS é reconhecido pela CBI como ainda mais ineficiente do que o das operações comerciais. Estima-se um tempo até a morte mais longo, um índice de morte instantânea mais baixo e taxas mais altas de animais “atingidos e perdidos”. Os dados de 2000-2002 mostram taxas de morte instantânea das CAS de 0-17%, tempo médio até a morte de 9-57 minutos, tempo máximo até a morte de 35-300 minutos e até 32 animais atingidos e perdidos anualmente.

Para algumas caças CAS, a CBI fixa um limite de número de baleias que podem ser capturadas, ao invés de um limite para os lançamentos de arpão. Isto significa que, em algumas caças, os baleeiros de CAS só podem capturar o numero máximo de baleias permitido, porém podem ferir e perder um número ilimitado.

Captura “científica”

Dos três países que atualmente matam baleias, apesar da moratória da CBI para caça comercial, o Japão e a Islândia estão realizando o que é denominado de caça com “permissão especial” ou “científica”. Entretanto, essas operações não estão em conformidade com os critérios exigidos rotineiramente por programas de pesquisa científica respeitados. Um dos requisitos é um exame independente e ético do plano de pesquisa antes de sua aprovação. Os programas de captura de baleias tem sido sistematicamente criticados pela comunidade científica em relação a sua validade e foram condenados como sendo eticamente inaceitáveis.

Tempo até morrer

Tempo prolongado até a morte, uma perseguição estressante e animais sendo atingidos e perdidos, indicam um grande problema de bem-estar para as baleias, do qual nem sabemos a exata extensão. As adaptações físicas dos cetáceos ao ambiente marinho têm implicações significativas para seu bem-estar. Estar adaptada para mergulhar sem respirar por longos períodos e sua habilidade em baixar seus batimentos cardíacos em 50-80%, por exemplo, dificulta a determinação de quando uma baleia está morta. Elas podem, portanto, sobreviver e sentir dor por um período muito mais longo do que o atualmente sugerido pelos atuais critérios da CBI. Isto leva à pergunta: algumas baleias estarão ainda vivas ao serem içadas para bordo dos barcos baleeiros para serem esquartejadas?

Conclusão

As atividades baleeiras atuais dão margem a sérios problemas de bem-estar animal. Muitos fatores inerentes às práticas baleeiras tornam pouco provável que padrões verdadeiramente humanitários sejam algum dia atingidos. A mera justificativa de bem-estar animal já é suficiente para que essas operações sejam suspensas.

Hora de zelar pelo bem-estar das baleias

As dificuldades inerentes de se matar um animal de grande porte, parcialmente submerso no mar, dá margem a graves problemas de bem-estar. Mesmo assim, dentro da CBI, questões de bem-estar continuam praticamente sem solução. Agora a caça à baleia em grande escala parece estar voltando à discussão com alguns paises desejando a suspensão da moratória à caça comercial de baleias. Uma coalizão global de mais de 140 sociedades de bem-estar animal em mais de 55 países, lideradas pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), tem o propósito de assegurar o reconhecimento internacional de que o debate sobre a caça à baleia não é apenas uma questão de quantidade e conservação, mas também de sofrimento animal. A coalizão global conclama a Comissão Baleeira Internacional a tratar seriamente das questões de bem-estar resumidas neste documento e suspender imediatamente as operações de caça comercial e científica de baleias.

O que você pode fazer

A coalizão global está exigindo o reconhecimento universal do fato de que a caça à baleia deveria ser suspensa baseada em problemas de bem-estar. Você pode mandar uma mensagem para o representante do Brasil na Comissão Baleeira Internacional declarando sua preocupação com o bem-estar das baleias, solicitando que a CBI volte a discutir este assunto e apoiando a criação do Santuário do Atlântico Sul.

Conselheiro Hadil da Rocha Vianna
Ministério das Relações Exteriores
Esplanada dos Ministérios, Bloco H, Anexo I - s/736,
Brasília DF. 70170-900
Tel (61) 411-6282 Fax (61) 411-6906
Email: hadil@mre.gov.br

Visite o site www.whalewatch.org para mais detalhes sobre como ajudar as baleias e colaborar para seu bem-estar.

BALEIAS NO BRASIL: CAÇA E SANTUÁRIOS

Texto: Liliane Lodi (Bióloga Marinha e Coordenadora do Projeto Golfinhos)

A ordem Cetácea é a mais numerosa e diversifica entre os mamíferos aquáticos. Está dividida em duas subordens: Odontoceti, representada pelos cetáceos com dentes, incluindo 73 espécies atuais de botos e golfinhos pertencentes a nove famílias, e Mysticeti, representada pelos cetáceos com barbatanas, que incluem 15 espécies atuais de baleias pertencentes a quatro famílias.
Entre a desembocadura do Rio Oiapoque e o Arroio Chuí, o Brasil possui aproximadamente 7408km de costa, englobando uma faixa de 200 milhas náuticas (cerca de 370km) a partir de sua orla marítima, denominada Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Em águas juridiscionais brasileiras já foram reportadas a ocorrência de oito espécies de baleias: baleia-franca-do-sul (Eubalaena australis), baleia-azul (Balaenoptera musculus), baleia-fin (B. physalus), baleia-sei (B. borealis), baleia-de-bryde (B. edeni), baleia-minke-antártica (B. bonaerensis), baleia-minke-anã (B. acutorostrata) e baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae). Esse número corresponde a 53,4% das espécies conhecidas em âmbito mundial.
A caça de baleias teve início no Brasil em 1602 no Recôncavo Baiano. Alguns anos mais tarde, a prática alastrou-se pelo litoral sul, desde Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até Imbituba, em Santa Catarina, transformando-se num dos principais monopólios da coroa portuguesa. A decadência da caça de baleias teve início na última década do século XVIII, especialmente devido a concorrência das expedições dos norte americanos e britânicos em águas do Atlântico Sul. No entanto, não existem registros precisos sobre o número e as espécies de baleias capturadas pelo Brasil durante os séculos XVII e XVII.
Entre 1904 e 1985, cerca de 19.806 baleias foram mortas pela indústria baleeira sediada em Costinha (Companhia de Pesca Norte do Brasil), Paraíba, sendo: 14.300 baleias-minke; 3.600 mil baleias-sei; 1.542 baleias-jubarte, 360 baleias-de-bryde; 3 baleias-fin e uma baleia-azul. Já na estação que operou em Cabo Frio (Sociedade de Pesca Taiyo Limitada), Rio de Janeiro, entre 1960 e 1963, um total de 1.134 baleias-de-bryde e sei, 84 baleias-fin, 10 baleias-jubarte e uma baleia-azul foram capturadas. As estatísticas são alarmantes: Pelo menos, 21035 baleias foram capturadas na costa brasileira.

As baleias tornaram-se, por uma boa razão, importantes ícones do movimento conservacionista. Em 1986, uma moratória sobre a caça comercial foi imposta a todos os países membros da Comissão Internacional da Baleia (CIB), criada em 1946 e composta atualmente por 47 países membros, com exceção de regiões com populações indígenas que praticam a pesca de subsistência, como Groelândia, Sibéria e Alasca. O Brasil se integrou à Comissão em 1974.
Em 18 de dezembro de 1987, foi sancionada a Lei Federal Nº 7643, que proíbe a caça e qualquer forma de molestamento intencional de cetáceos em águas juridiscionais brasileiras garantindo, dessa forma, o fim da caça comercial de baleias em nossas águas. O Brasil foi o último país da América do Sul a abandonar essa prática, a qual reduziu drasticamente as populações de baleias em todo o mundo.
Desde então, o Brasil melhorou consideravelmente sua política de conservação dos cetáceos, o qual foi possível, principalmente, através da geração de conhecimentos advindos de pesquisas __ que tiveram um papel decisivo na criação de algumas legislações específicas __ e do crescimento do interesse público. Destaca-se também a posição do Brasil em adotar posturas altamente conservacionistas ao defender o uso não-letal das grandes baleias e protegê-las do risco da volta da caça comercial nas reuniões anuais CIB.
Uma proposta para estabelecer o Santuário de Baleias do Atlântico Sul foi apresentada à CIB pelos governos do Brasil e da Argentina, contando com diversos outros co-patrocinadores (nas 53a, 54a e 53a reuniões da CIB, respectivamente em Hammersmith, Reino Unido em 2001, Shimonoseki, Japão, em 2002, e Berlin, Alemanha, em 2003), obtendo em todas as oportunidades uma maioria simples de votos favoráveis. Infelizmente, ainda não foi possível obter a adesão explícita de pelo menos três quartos dos membros. A proposta é de estabelecer um santuário no oceano Atlântico, da linha do Equador até o limite de 40 ºS, onde começa o Santuário Antártico. A região engloba, além da área oceânica, o litoral brasileiro e africano.
Atualmente, existem duas grandes áreas designadas como santuários de baleias. Uma delas, criada em 1979, localiza-se no oceano Índico (abrange as águas do hemisfério Norte da costa leste da África - incluino os mares Vermelho e da Arábia e o Golfo de Omã - até 100ºE, e as águas do Hemisfério Sul de 20ºE a 130ºE). A outra circunda a Antártica (abrange as águas do hemisfério Sul de 40ºS, 50ºW para leste até 20ºE, daí para o sul até 55ºS, leste até 130ºE, norte até 40ºS, leste até 130ºW, sul novamente até 60ºS, leste até 50ºW e finalmente daí ao norte fechando o perímetro) e foi estabelecida em 1994.
Apesar de protegidas a baleia-franca-do-sul, a baleia-azul, a baleia-fin, a baleia-sei e a baleia-jubarte integram a Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, publicada em maio de 2003.

WHALEWATCH
BALEIASNAMIRA

Chegou a hora de zelar pelo bem-estar das baleias

Campanha mundial contra a caça às baleias é lançada.
Novo relatório expõe a crueldade desta prática.

Foi lançado no dia 9 de março o relatório TROUBLED WATERS (MARES REVOLTOS) , marcando o início de uma campanha global contra a caça às baleias. Segundo o naturalista Sir David Attenborough está foi a primeira vez que foram reunidas “...evidências científicas de que não há uma forma humanitária de se matar uma baleia em alto mar”.

Uma coalizão formada por mais de 140 ONGs de cerca de 55 países participam da campanha WHALEWATCH (www.whalewatch.org ). O objetivo é pressionar a Comissão Baleeira Internacional (IWC) para que mantenha a moratória atual sobre a caça comercial e também suspenda todas as operações de caça tanto comercial quanto científica de baleias. A previsão é de que mais de 1.400 baleias serão mortas somente este ano, e a campanha quer chamar atenção para a forma cruel com que são abatidos esse mamíferos.

Peter Davies, Diretor Geral da Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Society for the Protection of Animals - WSPA), um dos líderes da coalizão, expressou: “ A crueldade inerente à caça às baleias foi eclipsada nos últimos anos por argumentos abstratos relativos às estatísticas populacionais. O fato é que, haja uma baleia ou milhares delas, a caça a esses animais é inaceitável, mesmo sem abordar outros aspectos, considerando-se somente a crueldade envolvida”.

Embora a caça comercial esteja suspensa desde 1986, mais de 20 mil baleias foram mortas desde então. A técnica utilizada na caça de baleias foi muito pouco alterada desde o século XIX, quando o arpão com granada explosiva na extremidade foi inventado. Em águas em constante movimento, habitat nas quais os cetáceos vivem e são caçados, existem dificuldades inerentes em se conseguir uma morte rápida e efetiva. Apesar de seu poder destrutivo, o arpão não consegue matar instantaneamente e algumas baleias podem levar até mais de uma hora para morrer. Testes atuais para se determinar o momento da morte de uma baleia são inadequados. Há dúvidas em relação ao fato das baleias serem consideradas mortas, quando ainda estão de fato vivas. A verdadeira extensão de seu sofrimento ainda tem que ser cientificamente estudada e avaliada. A dificuldade de se atingir uma baleia com um certo grau de precisão pode facilmente ser constatada analisando-se a margem de erro humano. Apesar de utilizarem métodos similares de matança na caça a baleias em 2002/ 2003, a Noruega, por exemplo, reportou que cerca de 20% das baleias não morreram instantaneamente, enquanto o Japão reportou um número muito maior, de quase 60%.


É hora de zelar pelo bem-estar das baleias!


Coalizão que participa desta iniciativa: WSPA, Fondation Brigitte Bardot, RSPCA, WDCS ( Whale and Dolphin Conservation Society ), Japan Animal Welfare Society Limited, The Human Society of United States, EIA (Environmental Investigation Agency), Care for the Wild, Campaign Whale, Dyrenes Beskyttelse e Instituto Ecológico Aqualung.

Contatos:
Inglaterra - Jonathan Owen/Debra Ashton - jonathanowen@ wspa.org.uk - WSPA, 44-207 587 5000; RSPCA Press Office, 44 - 870-754 0244/288
Estados Unidos - Georgina Davies, WDCS, 1-249 449509;
Brasil - Elizabeth Mac Gregor, WSPA-Brasil, (021) 2295-9232 wspabrzl@iis.com.br.