AGENDA
21 DEZ ANOS DEPOIS
| Já
se passaram quase dez anos desde que o mundo se voltou, com
grande seriedade num evento internacional, para a questão
da conservação do meio ambiente. A Conferência
das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
ou simplesmente Rio 92, representou um marco na popularização
da discussão sobre a importância da preservação
e da não destruição em prol da natureza
e do bem estar do próprio homem. Reforçando a
construção de um conceito lançado em 1987
no relatório "Nosso Futuro Comum"*1, as nações
se voltaram para a questão do desenvolvimento sustentável
e a sua aplicabilidade.
|
 |
A
maior herança da conferência para o planeta foi a criação
do documento conhecido como Agenda 21. Alicerçada no slogan
"pensar globalmente, agir localmente", a agenda promoveu
o acordo e a aprovação, entre os 170 países
participantes, de uma série de compromissos cujo objetivo
maior era buscar os caminhos para a mudança do padrão
insustentável de desenvolvimento vigente, vislumbrando novos
modelos ambientalmente equilibrados para o então ainda distante
século XXI.
Dez
anos depois de seu lançamento e já inserida na realidade
do século que a batizou, a Agenda 21 merece uma retrospectiva
e um balanço. Afinal de contas, mais do que um documento,
ela foi criada com o intuito de funcionar como um impulsionador
de um processo de planejamento participativo. Este processo é
a base para a análise da situação atual de
um país, estado, município e/ou região, gerando
as Agendas 21 regionais e locais. Em outras palavras, todas as pessoas,
em sua devida atuação e localidade, têm algo
a colaborar no processo de implantação da Agenda 21
dentro da sua realidade.
Agenda
21 Global Agenda 21 Brasileira Agendas 21 locais
Considerada
um documento pioneiro na época de sua elaboração,
a Agenda 21 consiste em um plano de ação de 40 capítulos
tendo como grande meta a conquista do venerado Desenvolvimento Sustentável.
Uma das conclusões mais significativas divulgadas para o
mundo pela a agenda foi a seguinte: "uma política ambiental
centrada principalmente na conservação e proteção
de recursos, sem considerar o meio de vida daqueles que dependem
destes recursos, provavelmente nunca terá sucesso."
Em outras palavras, a partir da Agenda 21 a variável social
passou a se integrar com mais lógica nas discussões
relativas à conservação da natureza.
| A
partir da Agenda 21, os 170 países signatários
se comprometeram a elaborar estratégias de desenvolvimento
sustentável. Até 1996, 117 nações
haviam formado comissões nacionais para desenvolverem
estas estratégias - a maioria composta por uma gama variada
de representantes de indústrias e organizações
não-governamentais (ONGs), como também autoridades
governamentais. O Brasil não estava nesse grupo, pois
criou a sua comissão somente em 1997, ano em que começou
o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira. |
 |
| Os
5 princípios básicos da Agenda 21 Global
|
| 1
- Geração de um processo de planejamento participativo
para planejamento do futuro de forma sustentável em níveis
locais, regionais e globais. |
| 2
- Encaminhamento de propostas dentro de uma abordagem integrada
e sistêmica das dimensões econômica, social,
ambiental e político-institucional. |
| 3
- Envolvimento de todos os atores sociais na discussão
dos principais problemas, garantindo a sustentabiliade dos resultados. |
| 4
- Formação de parcerias e compromissos para a
solução das problemáticas a curto, médio
e longo prazos. |
| 5
- Geração de produtos, propostas e projetos concretos,
exequíveis e mensuráveis. |
Agenda
21 Brasileira
O
processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira vem
sendo conduzido pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento
Sustentável e Agenda 21 (CPDS), criada em fevereiro de 1997
pela Presidência da República e vinculada ao Ministério
do Meio Ambiente.
Seguindo
as diretrizes da versão global do documento, a Agenda 21
Brasileira tem por objetivo definir estratégias de desenvolvimento
sustentável para o país, a partir de um processo de
articulação e parceria entre o governo e a sociedade.
A metodologia de trabalho da Agenda 21 Brasileira teve como base
a escolha de seis temas centrais, sendo eles: Gestão dos
recursos naturais; Agricultura sustentável; Cidades sustentáveis;
Infra-estrutura e integração regional; Redução
das desigualdades sociais; e Ciência e Tecnologia (veja
mais detalhes sobre cada tema na página 06).
O
objetivo principal pretendido com essa divisão era abarcar
a complexidade do país, estados, municípios e regiões
dentro do princípio da sustentabilidade. Ou seja, o estudo
direcionado visa facilitar o planejamento e implantação
de modelos e sistemas ideais e adequados à singular e ao
mesmo tempo diversa realidade brasileira.
O
caráter participativo da Agenda 21 fez com que a CPDS percebesse
a necessidade de ampliar, na prática, a participação
dos diversos setores da sociedade brasileira no processo de construção
da versão nacional do documento. Foi então gerado
o "Agenda 21 Brasileira - Bases para Discussão",
um relatório cuja principal função foi incentivar
e subsidiar rodadas de debates nos estados e cidades. Ele foi distribuído
para as 27 unidades da federação em setembro de 2000
através das Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. Receberam
o documento instituições dos setores governamental,
civil organizado e produtivo.
Do
lançamento do relatório até maio desse ano
o Ministério do Meio Ambiente e o CPDS promoveram 26 debates
estaduais - o Amapá foi o único estado que ficou de
fora, por impossibilidade de realização do encontro.
Num balanço geral, participaram das discussões quase
4 mil representantes das instituições acima citadas
e foram concluídas e consensuadas nada mais do que 5.839
propostas referentes aos seis eixos temáticos.
A
etapa seguinte de elaboração da Agenda 21 Brasileira
iniciou-se em maio com o primeiro de cinco encontros regionais previstos
para acontecerem até agosto. Os encontros realizados no momento
consistem em reuniões fechadas das quais participam consultores
e especialistas da área sócio-ambiental escolhidos
pelas Secretarias Estaduais de Meio Ambiente e outras instituições
federais apoiadoras da elaboração da Agenda 21. Trata-se
de uma etapa de consolidação, que será seguida
pela conclusão do processo de elaboração e
pelo lançamento da Agenda 21 Brasileira, previsto para outubro.
| Dez
anos após a Rio 92, a cidade do Rio de Janeiro volta
a sediar uma reunião ambiental, preparatória para
o encontro Rio + 10 em setembro na África do Sul. |
| Em
2002, ambientalistas e profissionais da área de meio
ambiente estão com a atenção voltada para
a Rio + 10, o mega encontro que acontecerá em setembro
na cidade de Johanesburgo, na África do Sul, para avaliação
da performance ambiental do mundo no decorrer dos dez últimos
anos desde a realização da Rio 92.
Se
antecipando às discussões, a cidade do Rio de
Janeiro voltou a sediar, em janeiro, um evento internacional
sobre meio ambiente. O Rio-02 reuniu,durante cinco dias no
hotel Copacabana Palace, especialistas, representantes de
governos e empresários de mais de 20 países.
Promovida pela Coordenação de Programas de Pós-Graduação
de Engenharia (COPPE), da UFRJ, e com apoio da Fundação
Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado
do Rio (Faperj), a Rio-02 teve como principal objetivo analisar
a situação do meio ambiente global, abordando
principalmente os temas clima, energia e desenvolvimento sustentável.
Cerca de 50 palestrantes apresentaram os mais modernos estudos
desenvolvidos nestas áreas, destacando as mais recentes
tecnologias para o uso de fontes de energia limpa.
Entre
as resoluções tiradas do encontro está
a de que o Rio de Janeiro será o primeiro estado do
país a fazer a produção completa do biodiesel,
desde o plantio das matérias primas vegetais até
a industrialização do combustível. A
idéia é que até o final deste ano carros
da frota pública comecem a rodar com o biodiesel em
fase de teste. A técnica para o aproveitamento do biodiesel
como combustível, incluindo produção,
testes e certificação, está sendo desenvolvida
no Instituto de Mudanças Globais da COPPE, com apoio
da Faperj e da Petrobras. O biodiesel é feito a base
de óleos vegetais novos e usados. O óleo reciclado
está sendo doado pela rede de fast food Mc Donalds,
que o descarta após ser utilizado na produção
de batata frita. Segundo pesquisadores da COPPE, comparado
ao óleo diesel, o biodiesel pode reduzir em 78% a emissão
de CO2 na atmosfera - um dos principais vilões do efeito
estufa - e 100% a emissão de enxofre, que causa chuva
ácida e sérios problemas respiratórios.
|
|